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VIRTUALIDADES








Na garganta, o coração 
e, na alma, um turbilhão. 
Pulsação acelerada, oxigênio no final.
O que será, afinal


Pânico de viver,
De poder morrer.
Será que terei outra chance,
De ter, com a morte, uma revanche?

Outra chance me foi concedida,
mas a humanidade arrependida,
de a vida não aproveitar
e a finitude realmente chegar.

Mesmo sabendo da minha imortalidade,
a atitude ainda é covarde,
e o tempo a passar
até a próxima crise chegar.


E que chegue logo,
pois assim melhoro,
para, em seguida,
acreditar que vale a pena a vida!


Que a pena com que escrevo,
me salve do desespero
da inspiração se ir embora
e afastar o meu desejo de melhora.

Pílulas, terapia 
não são utopia.
Mas apontam o caminho possível
que a arte alinhava de forma invisível. 

Não é visível, palpável, racional, 
mas a minha dor é real
porque eu assisto
e, sobre ela, não minto.


Pânico de deixar de ser,
de mal viver.
Pânico de sentir
e de não mais voltar a sorrir.

E, na décima estrofe,
entrego a sorte
de continuar
entre a arte e o findar!












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Claro, o alívio do escuro.
Cores frias de um prisma. 
Entre rimas, eu procuro 
o meu esquecido carisma. 

Meu rosto firme, terroso, 
disfarça a melancolia 
de versos longos, remorso,
da força contida durante o dia.

Embora noite, assumo
que o seu escuro me clareia.
Prefiro a madrugada, o soturno,
o silêncio da candeia.

Mas, ocorreu de a candeia
acordar com o sol e o dia.
Disse que não os odeia
e que lhes tem simpatia.

Sou feliz à noite e de dia,
desde que eu tenha vida!




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Mamãe nunca se esquecia 
de preparar um banquete
que alimentava e aquecia
o nosso motor de criança-foguete!

Ela nunca se esquecia
de nos divertir com seus filmes!
Nossa mente, enriquecia, 
e, o caráter, tornava firme.

Mamãe nunca se esquecia
de nos levar para dançar. 
Sempre acontecia,
de tarde da noite chegar!

A sua memória começou a falhar...
Mas nunca nos esquecemos do que ensinou!
De viver, amar e descansar, ela, enfim, se lembrou!




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Às vezes chegava de mansinho,
rasteiro, desconfiado. 
Aí era o "Pretinho"
sempre muito amado!

"Cafú" era o seu nome,
quando queria pão. 
Fazia cara de fome,
um sim ao invés de um não. 

Descia a rua como "Tiziu",
apressado para dormir.
Muita gente o viu!
Famoso, a todos fazia sorrir!

Cada nome retratava
um traço da sua personalidade.
Falar, não falava,
mas era um cão de verdade!





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Ao chegar à Formiga,
encontrei a liberdade.
Achei minha terra querida,
onde brincava na rua à vontade.

Recordo-me, vivamente, do meu avô,
que foi, com seu chapéu,
no infinito céu,
alçar o seu voo.
Servia leite quentinho,
adoçado com muito carinho!

A minha primeira escola
era acolhedora e me inspirava.
Amor nunca faltava!
Primeiro era o hino, depois a bola.
No bloco de papel, fazia cada redação.
Para escrever, sempre tinha inspiração!

E essa mistura gostosa
de vô, educação e liberdade
é a minha memória amorosa.
“Formiga de minha infância, que saudade!”





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Era uma vez uma dona de casa muito prendada que resolveu ganhar dinheiro fazendo o que mais gostava: cozinhar.

A coisa começou devagar... fez uma marmita para um conhecido, para outro e, quando viu, a fama (boa) já tinha se espalhado.

E como era de se esperar, a prendada Dona Maria, que já era um pouco nervosa por natureza, digamos assim, viu o seu nível de stress subir a cada dia.

− Se for pegar comida antes do horário, liga mais cedo avisando! Ah... se for pegar comida a mais, também! −  dizia ela a um de seus fregueses.

E assim seguia a sua vida, de segunda-feira a sábado, naquela agitação matinal que virou rotina.

Na hora de cobrar a conta, ela tinha uma notinha na qual anotava os dias e quantidades de comida que o freguês pegou. Uma organização que só vendo

− Neste dia aqui eu vou te cobrar só meia (marmita), porque você pegou menos comida, tá?- dizia ela.

E a rotina seguia o seu curso natural. Mas um dia, aconteceu algo atípico, por assim dizer.

Eram 10h30min. Dona Maria já estava na cozinha preparando a comida, pois 10h (em ponto!) era a hora de começar o almoço. O telefone tocou.

Ela, já com o nervosismo matinal, correu para atender ao telefone – “Isso é hora de ligar?” − pensava.

− Alô!

−  Dona Maria? – dizia a voz calma do outro lado.

−  Ah... oi, Neusa.

−  Eu te liguei mais cedo porque hoje só vou pegar uma e meia.

− O quê? Espera só um pouquinho que eu vou trocar de telefone... este aqui está muito baixo.

Dona Maria segue apressada para o quarto onde ficava a extensão do telefone, preocupada com a comida no fogão:

−  Pode falar, Neusa!

−  Ã‰ que hoje eu só vou pegar uma e meia...

−  Uma e meia? Tá bom!

E desligou o telefone, saindo direto para a cozinha. – “Vê se pode? Comecei a comida hoje mais cedo só por causa dela. Que raiva!” −  pensava, enquanto refogava o arroz.

Dona Maria preparava as marmitas e, quando o relógio da cozinha marcava 12h15, a campainha toca. 

Ela, que já tinha acabado de preparar todas elas, sai para atender a porta, deixando o pano de prato em cima da mesa da copa. Enrola-se com a chave da porta e, quando finalmente consegue abri-la, fica perplexa.

−  Neusa???

−  Oi, Dona Maria! Tem comida para mim, aí?

Controlando toda a raiva que teimava em sair, Dona Maria disse:

−  Mas você não falou que só vinha “13h30min”?

−  Não, Dona Maria! Eu disse que iria pegar uma (marmita) e meia.

− Mas eu já fiz todas as marmitas e não tem mais comida sobrando! Como é que faz?

− Mas eu achei que a senhora tivesse entendido... mas, ah! Não tem problema! Eu levo a minha do jeito que está.

Dona Maria entrega, então, a marmita a Neusa.

−  Obrigada, Dona Maria. Tchau! −  fala Neusa, calmamente.E... quer saber o final da história? Ficou por isso mesmo.





 


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Amor não tem sexo, raça ou religião.
É refrigério pra alma
e calor para o coração.

Quando jovem,
chama-se paixão.
Depois de algum tempo,
se une à razão.

Amor de amigo, de irmão ou romântico.
Quando é sincero, plural,
ultrapassa o seu papel semântico.

Amor que é de verdade,
se perpetua além da vida.
Transforma toda a saudade,
em lembrança preferida.

Porém, quando interesseiro,
assim que distraído,
torna-se verdadeiro.

Sentimento sublime,
mistura de alegria e sofrimento.
O amor imprime
graça ao sentimento.



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Que o novo ano carregue 
saúde, amor e paz!
Que seja leve,
aliviando o que ficou para trás. 

Que ele conserve
a alegria das conquistas. 
Que preserve
o verde da esperança vivida.

Que seja breve,
ou não!
Mas que sempre releve
o que revela o coração!




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Detentor do saber.
Por vezes emblemático,
nos ensina a sermos
sábios e simpáticos.

Entende Matemática, Português,
fruto de muito labor.
Responde a todos os porquês
de ter escolhido ser professor. 

Molda identidades,
mas não é reconhecido.
Defende as verdades
de outros tantos oprimidos. 

O seu belo ofício, 
dia 15 de outubro é comemorado!
E o seu árduo sacrifício 
é, então, lembrado!

Quem tudo aprende,
daquele que ensina com amor,
sempre entende
a importância de seu professor. 

Sinto saudades da época da escola!
Lá era a primeira a chegar.
Nos tempos de outrora,
esse era meu segundo lar.

Que as crianças de hoje em dia
aprendam a dar valor
àquele que já queria
crescer e ser professor.

Profissão digna,
uma missão,
da qual não se abdica 
por amor à educação!







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A dor da perda
feriu meu coração.
O tempo amigo
transformou a ferida em aceitação.

Ao aceitar,
o vazio, em seu pequeno grão,
fez-me entender
que tudo pertence à imensidão.

Contra o infinito,
não há luta a travar.
Resta, apenas,
não resistir em se deixar moldar.

Só então eu perdi,
mas aceitei, não resisti.
Pude entender e existi.




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Imagem de domínio público





Eis uma singela homenagem à minha cidade natal, Formiga!


Formiga sempre a encantar!
Em suas belas Igrejas,
a paz que almeja 
faz, em seu interior, reinar.

E o reinado a prosseguir,
na folia de janeiro,
prova que os reis, primeiro,
devem servir.

Servindo, a cidade prospera 
e os seus casarões, sentinelas,
sussuram que o Eterno Rei opera
em templos, lares e vielas.

Lugares de 164 anos
exalam história e cultura.
Mesmo com seus desencantos,
eterna flor de candura!
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"O leiteiro" (grafite sobre Canson)


 

Dona Maria, dona de casa trabalhadora, mãe zelosa, e também, muito observadora.

Certo dia, ao sair para comprar leite do seu João, notou algo diferente nele:

- Bom dia, seu João!

- Bom dia, dona Maria!

- Vou querer um litro e meio, tá?

- Tudo bem.

Dito isso, seu João virou-se para o banco do passageiro de sua pickup, onde estava o galão de leite, para atender ao pedido. Dona Maria percebeu que ele estava triste e, depois de pegar a vasilha cheia de leite que estendeu para ela, o seu rosto surgiu na janela apático, com uma tonalidade muito particular: “um amarelo vivo”.

A dona de casa o interpelou:

- Seu João, estou percebendo que o senhor está um pouco triste... por acaso você está assim, meio doente?

- Não, Dona Maria, estou me sentindo ótimo! Por quê?

- Não, por nada.

O que seu João não sabia é que Dona Maria possuía dois defeitos graves: era um pouco negativa e muito insistente.

- Mas eu estou achando que o senhor está muito pálido!

- É mesmo? A senhora acha???

O que ninguém sabia, também, pelo menos não Dona Maria, é que o leiteiro era muito influenciável.

- É, o seu rosto está com um tom amarelado: um amarelo vivo!

- Meu Deus, mas o que a senhora acha que pode ser?

- Não sei. O que eu sei é que o meu cunhado uma vez ficou amarelo assim, como o senhor.

- É? E como ele está?

- Está melhor do que nós. Pelo menos assim espero.

- Como assim?

- Não sei, espero que esteja em um bom lugar.

- Por que, ele está hospitalizado?

- Não, está morto, mesmo! Espero que esteja no céu, brincando com os anjinhos... e mais coradinho, também.

- Nossa! Eu acho que não estou me sentindo muito bem!

- Pois é, corre para o hospital, talvez ainda dê tempo, né?

- Tempo do quê?

- Do senhor se salvar!

- Nossa, é isso mesmo que eu vou fazer!

Seu João conseguiu virar o carro com uma manobra só e subir a rua em três segundos, até hoje não se sabe como. Todos, inclusive Dona Maria, apostaram que ele morreria de qualquer jeito: ou de acidente de carro ou de doença grave.

Mas seu João não morreu nem de uma coisa, nem de outra. Está vivo e forte como nunca e continua a entregar leite para Dona Maria. E vai com uma camisa vermelha, que é para não dar a impressão de estar muito pálido.

 

Texto produzido em 2009

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"Pulmon@r" (arte digital)






Inspire. Contraia. Expire. Distenda.
Segue seu fluxo, a respiração. 
E o "livre" agir do pulmão. 

Recebe. Contrai. Expulsa. Distende.
Circulação. 
Assim age, "livremente", o coração. 

Mas, eis que foram feitos cativos, de repente. 
Contraiu- se a esperança. 
Distendeu-se o senso.
Expulsa a ignorância,
Preso o meu pensamento. 

Quando falta a liberdade, o sangue e o ar,
que a alma respire
para o coração se aliviar.

Precisamos prosseguir,
inspirar e pensar,
expirar e agir.
No fluxo, no ritmo, pulsar.
Entre estar e partir.
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Sobre mim

Tiara C. França é goianeira (metade goiana, metade mineira), criada em Goiânia e Formiga.

Descobriu o gosto pelas Artes Visuais desde os 6 anos de idade, quando se pegou reproduzindo personagens de HQ's, de maneira autodidata e espontânea. Especializou-se em Ensino de Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Começou a escrever textos literários ainda na escola. Formou-se em Letras pelo Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG). Já teve contos publicados em outros sites e em coletâneas (Revista Literária Jovem do CLMM, Nos rastros de Erato, Contos em Miniatura).

O blog foi criado no início da pandemia, em abril de 2020. Foi uma tentativa de tornar a fase da pandemia do COVID-19 um pouco mais reflexiva para as pessoas. E perdura até hoje!

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