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    VIRTUALIDADES

    Certa vez, briguei com uma pessoa próxima. Ficamos em cômodos diferentes. Entrei no Spotify e a minha conta é aleatória.

    Isso é bom, pois tenho acesso a músicas que não tocam na rádio e não te obriga a comprar CD's. Mas, também coloca a gente em muitas situações delicadas. 

    Tocou uma música de Tiago Iorc, a qual nunca tinha ouvido:



    Dor de Cabeça

    Tiago Iorc


    Você não vale

    a minha dor de cabeça

    Me esqueça,

    desapareça

    Mas te quero bem

    Bem longe daqui.


    Logicamente, o que foi sem querer passou a ser de propósito.

    Paciente: "Eu estava com raiva mas a música tocou ao acaso."

    Digo que, no final das contas, a música certa tocou na hora certa. O propósito talvez tenha cumprido o seu propósito.

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    Enquanto estava cursando o último período da faculdade, eu quase nunca usava peças de roupa pretas. Mas, nesse dia, eu fui com uma.

    Mal sabia que estavam organizando uma ação de protesto contra o desempenho dos professores. E adivinhem: quem estava protestando usava a cor preta.

    Alguns colegas me perguntaram se eu sabia e estava com vergonha de assumir. Eu era a única que não sabia o que estava acontecendo.

    Quase no fim do último horário, resolveram aceitar que era um mal-entendido.

    Visão do paciente: "Eu estava distraída e a escolha da roupa não foi proposital."




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    Meus 18 anos

    Foi o meu aniversário. Após a festa, minha família e eu fomos a um forró, numa festa junina. Eu estava completando 18 anos. Não costumava sair de bolsa. Deram-me fichas para ir ao bar e consumir o que eu quisesse.

    Assim eu fiz. Bebi cerveja. Quando estava na segunda lata, surgiu um segurança.

    Ele me perguntou a minha idade. Eu disse que estava completando 18 naquele dia. Mas estava sem os documentos e não tinha como provar.

    Eu disse para ele perguntar, à minha família, se estava ou não dizendo a verdade. Ele disse que poderia beber e não tinha problema.

    Mas, durante o evento, ele ficava me olhando para onde eu ia.

    Fui ao bar e tomei bastante refrigerante, de todas as marcas. A minha bexiga encheu e fiquei como uma mulher grávida, prestes a ter a bolsa rompida. Para ir ao banheiro, tive que subir uma rampa, "pé por pé". E ele veio atrás.

    Disse que ele esqueceu que era segurança do evento e tinha muita gente da festa para vigiar.

    Eu até não tenho nada contra ter um segurança para mim, mas não era o caso.

    Quem foi comigo estava pertinho da fogueira, se aquecendo com o fogo e o quentão. 

    Visão do paciente: "Eu tive razão em minha atitude. Não era obrigada a levar bolsa. Quem leva bolsa para uma festa? Eu fui incitada a ficar nervosa. E não fiquei de porre."

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    Há algum tempo, fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). É uma doença mental que afeta o paciente e o deixa passar por momentos difíceis. É como se o humor funcionasse como uma balança (mania e depressão) e o tratamento fosse o "fiel".


    Há os que contam com uma rede de apoio e esclarecimentos a respeito de tratamento psicológico e psiquiátrico. 

    A sociedade, em sua maior parte, se interessa pouco ou quase nada. Infelizmente alguns precisam estar doentes ou conviver com alguém assim para serem empáticos.


    O meu objetivo é fazer com que aquele bipolar que não sai da cama, por não ter motivo para viver, leia pelo menos uma frase do que escrevi, e se identifique com a história, e viva, no sentido mais genuíno do verbo.


    Ou para aquela pessoa, cansada de explicar o seu diagnóstico, não se machuque mais, aprenda que dizer não é necessário e que hoje já existem meios para esclarecer qualquer dúvida.


    Ou para aquele que foi hospitalizado porque achou que não concluiria o curso superior. Deu certo, no final, mas que não volte a duvidar de si a esse ponto.


    O meu post abre uma caixa com pequenas pílulas de humor, feitas a partir de histórias reais, que tenho como provar, por causa das testemunhas. 


    E não, não estou romantizando a doença. Só os bipolares sabem os feitos e efeitos disso tudo. Mas, tentar levar tudo com mais riso, ainda que de vez em quando, quebra o preconceito que nós, bipolares, temos a respeito de nós mesmos e dos nossos tratamentos! 


    Pílulas são dadas para aliviar um sofrimento, causado por doenças, as mais variadas.


    Espero que as minhas pílulas curem a tristeza de um dia difícil ou façam você refletir sobra a vida. Não têm contraindicação!





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     Um rastreio rasteiro.

    Eros me localizou, de corpo inteiro.

    Eu vi verdade, alvo certeiro.

    Obrigada, cupido, te respeito.

    De todos, És o melhor arqueiro! 

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    Sobre mim

    Tiara C. França é goianeira (metade goiana, metade mineira), criada em Goiânia e Formiga.

    Descobriu o gosto pelas Artes Visuais desde os 6 anos de idade, quando se pegou reproduzindo personagens de HQ's, de maneira autodidata e espontânea. Especializou-se em Ensino de Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Começou a escrever textos literários ainda na escola. Formou-se em Letras pelo Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG). Já teve contos publicados em outros sites e em coletâneas.

    O blog foi criado no início da pandemia, em abril de 2020. Foi uma tentativa de tornar a fase da pandemia do COVID-19 um pouco mais leve, reflexiva e divertida para as pessoas. E perdura até hoje!

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