Eis que Jesus,
descido do alto,
pegou a sua pena
e usou sua licença poética.
E disse:
"Eu sou especial,
Sou autÃssimo!"
Poesia produzida no Centro de Atenção Psicossocial de Formiga (CAPS) Formiga- Minas Gerais
Precisei fazer jejum
de mim.
A princÃpio, só um.
Quis usar flor de cetim.
Mas, apartei-me um pouco,
sem nada tecnológico ao redor.
O meu interior ficou rouco.
O que poderia ser pior?
O melhor é que estou
em processo de evolução.
Como pensam, não acabou.
Chego, assim, à solução.
E, resolutamente, evoluindo,
renovo a direção.
Ao longo do caminho, seguindo,
com gente segurando minha mão.
Sem borracha, nem estaca zero.
A borracha tenta apagar, em vão.
A estaca zero só prende as cercas
de quem nada viveu.
Assimetricamente, as duas últimas estrofes,
determinam o vaivém da vida.
Ela não pede pressa,
pede presença,
do seu jeito.
Poesia produzida no Centro de Atenção Psicossocial de Formiga (CAPS) Formiga- Minas Gerais
Durante Setembro,
flertei com o meu Destino.
Fizemos dar certo.
E deu.
Decidimos andar lado a lado.
Nem um passo para trás,
nem para frente.
Mais do que as flores da primavera,
me deu respeito, amor verdadeiro, admiração.
Provou-me ser, por a + b,
um D (maiúsculo).
Saudade, exclusiva do Vocabulário da LÃngua Portuguesa.
Dita por quem precisa estar com a consciência tranquila,
depois de fazer todo o mal que pôde contra você.
Dita por alguém que a usa como ponte para conseguir algo ou alguém.
Dita em forma de um convite para um café, feito por alguém que te quer bem,
torcendo para que você não esteja.
Dita por educação, apenas para quebrar o gelo, e nada mais.
De tão única e esvaziada de sentimento,
não faz mais parte do meu vocabulário.
Perdeu o seu sentido.
Colocou-se um ponto final
e tudo findou.
Entre todos os seus
parênteses
travessões
aspas
vÃrgulas
reticências
exclamações
interrogações
dois pontos
pontos e vÃrgulas
O que importa é o findar
.
A opressão, a compulsão, a confusão.
Tudo serenou.
E vem passando.
E vem voltando,
tudo ao normal.
Velho ou novo, afinal?
A compaixão, a gratidão, a comoção.
Tudo serenou.
E estão indo.
Bem-vindo,
Normal!
Velho ou novo,
eis o final...
Que bom que Junho
começou no meu dia favorito: domingo!
Me renovo.
A alegria me acorda, dormindo.
Sinto paz, tudo tem a ver comigo.
Gostaria que,
todo dia,
fosse domingo.
Junho, bons presságios,
acho que chegou bem.
Paz, em vários estágios,
um pouco de raiva também.
Junho sempre haverá,
como os domingos.
Penso que esse encontro será
o meu preferido!
Domingo mudou de ideia,
dos outros não desfez.
Cada dia, uma panaceia,
que compunha o mês!
Todos felizes,
ao longo das horas e dias.
Passei a ver suas matizes
com muita simpatia!
Sou feliz o ano todo!
Dia 30 de abril,
o mês findou
mas um portal se abriu.
Sem rima mesmo,
quase ninguém sentiu.
Experimentei o amor genuÃno e Divino,
enquanto tomava apenas as pÃlulas de normalidade
das quais precisava.
A minha arritmia ritmava as lágrimas.
Elas lavaram o engano que sempre vi,
mas preferi não enxergar.
Voltei a tomar as pÃlulas, todas elas.
E o mundo todo se transformou
em amor, repentinamente.
Mas eu e eu vimos
o todo que sempre foi amor e que, agora,
é o tudo que me importa.
Começo a escrever a história do stalker de Marina. Incrivelmente ele não tem nome.
Tudo começou quando ela passou pela janela aberta de sua casa e sorriu de algo que se lembrou. Foi o bastante para que ele achasse, em sua mente doente, que teria sido endereçado a ele.
Começou o "ofÃcio" de stalker, pelo qual não recebe nada. Marina era vigiada quando saÃa de casa e quando não. Sabia que roupas a moça usava, com quem namorava, sobre seus colegas e amigos. Sabia onde trabalhava, o que fazia lá e há quanto tempo estava lá.
Espionava o quarto de Marina para saber o que estava fazendo lá. Os seus e-mails eram lidos, porque ele sempre burlava suas senhas.
Sabia quanto ela recebia, o que ela comprava e o quanto gastava em cada compra. Mensagens estranhas de pessoas estranhas chegavam e perfis fakes nas redes sociais a espionar.
Porém, um dia, algo decisivo aconteceu: Marina tentou comprar um remédio que precisava, mas o stalker, com toda a sua competência, impediu que chegasse às suas mãos, mesmo que não fosse ele a precisar nem a pagar. Marina era diabética. A sua insulina, que poderia salvá-la, caso não se sentisse bem, não chegou.
Porém, por que o stalker se importaria com a vida de Marina, se ele mesmo não tem vida? Que vida ele tem, se não faz nada na vida? Que vida tem, se não vive a própria vida?
E ele, que nem nome tem, faz coisas inomináveis em sua mesa de controle, de onde acha que controla alguém, mas não controla a si mesmo.
Que o stalker sem nome não se preocupe, dentro da consciência que não tem, que Marina está bem, pois recebeu a insulina de outra pessoa.
Era um lindo tapete, era Persa e do tamanho exato. Tinha uma leveza sem pressa e despretensiosa.
Ao longo do tempo, acumulou poeira alheia por debaixo de si e, pouco a pouco, tornou-se pesado. Ainda era Persa, mas agora triste, pálido.
Um dia teve pressa de voltar a voar.
Subiu alto e toda a poeira se espalhou, voltando a quem de direito.
Sua magia o fez feliz, novamente! Revelou a sua verdadeira essência e deixou cada qual limpar o que era seu, sem desculpas e sem mais!
Chamei um contador
para aplacar as minhas dores.
Faturas em forma de dor
para comprar os meus amores.
Ele contou tudo, aparentemente.
E disse: “Ainda nem começou!”
“Mas você é tão inteligente!”
“Acontece que você ainda não me pagou.”
“Devo, não nego, pago quando vier.
Fui pra longe, passagem só de ida.
De mim, fale o que quiser...
vou recalcular a minha vida.”
“Quanto a mim, não se preocupe.
Contei todas as suas dores.
Apenas se ocupe
e, da próxima vez, contrate cantadores”.
Neste poema, eu-lÃrico e autora são distintos.

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