Certa vez, umas amigas me convidaram para uma aula de forró universitário. Eu fui com "roupas leves e tênis".
A dinâmica era ensaiar passos, coreografias separadamente. Depois, os alunos faziam um cÃrculo para dançar em dupla e os participantes iam trocando de par, durante as músicas.
Eu não pretendia participar da roda até que um um moço bonito e ótimo dançarino me puxou para dançar. Só tinha um detalhe: eu omiti que não sabia dançar.
Piquei no pé dele que reclamou, mas não me soltou. Em parte da coreografia, tinha que entrelaçar os braços em frente dele, mais precisamente no pescoço. Só que não consegui tirar os braços pois ele era mais alto, e dei, sem querer, uma gravata nele. A gravata é um golpe de artes marciais, em que você entrelaça os braços no pescoço do oponente, e o enforca, controlando a força.
Ele me soltou, irado, contou o que aconteceu para os colegas, um a um. Eu fiquei em um canto, no meu modd invisÃvel. Ninguém viu o que aconteceu, ninguém me conhecia.
Eu sei que errei não dizendo que não sabia dançar, mas não deu tempo. Mas ele não precisava contar pra todos! Nessa época, não existiam smartphones, redes sociais e a gravata ficou entre nós.
Foi a primeira e última vez. Depois disso, encontrei com ele do outro lado da rua. Ele me fulminou com os olhos. Infelizmente, ele levou a gravata do pescoço para o coração.
