No alto da árvore de Natal,
guiando os Reis Magos até Jesus.
Dentro do olhar de Maria ao fitar o filho.
No coração de José.
Nas pontas dos dedos de Deus.
No cerne da criação.
Brilhando, única e eterna.
És tu, estrela!
Estrela és tu!
Primavera que prima pelas flores
dos mais refinados odores
com pétalas de tempo.
Tempo que matura beleza
e enche de leveza
o automático viver.
Automático desativado
de consciência renovado
para ver o que sempre existiu.
Fé renascida.
Estação sempre florida.
Em off.
O mês de agosto,
se vivido com gosto,
tem um sabor gostoso
de alegria renovada!
Quando vivido com desgosto,
o fatÃdico agosto
tempera, a gosto,
a tristeza destemperada!
Amores perdidos
vividos nos becos da cidade.
Nem, se todos reunidos,
diriam a verdade.
Sobre o primeiro amor
ou o último desencanto!
Sobre o desabrochar da flor
e o que gosto tanto!
Em cada pedacinho de chão
ou dos tijolos da vizinhança
moram o que eu sei de mim, então,
acompanho-me, lenta e breve, de esperança!
Eu-lÃrico e autora são distintos.
Certo dia, ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi ir até o banheiro para retirar a minha lente de contato do olho direito, que estava me incomodando muito.
Entrei no banheiro, fechei a porta e fiz aquele velho e antigo ritual: lavei as mãos, peguei o UNIQUE, a caixinha de lentes e fui para a frente do espelho retirá-la.
Como já estava acostumada com todo processo, despreocupadamente apertei a pálpebra junto à parte de baixo do olho e foi aà que aconteceu: a lente pulou e voou pelo banheiro. Só escutei um barulhinho (“inho” mesmo), como se ela tivesse batido em algum lugar. E pelo ruÃdo, parecia ter se chocado com alguma coisa feita de plástico.
“Ah, em cima da mesinha está cheio de coisas de plástico: potes de creme, de gel, filtro solar. Deve estar aqui por perto... vai ser moleza achar!” - pensei.
E fui, tranquilamente, certa de que já a teria encontrado. Procurei e não encontrei.
“Não tem problema. Deve estar caÃda do outro lado, em cima do forro da mesinha. Relaxa, Tiara” - falei para mim mesma. Procurei... e nada.
Então bateu o desespero. “Eu não enxergo bem sem a lente, como vou fazer? Preciso encontrá-la, desesperadamente!” .
Retirei todos os potes de cima da mesa, o forro, me abaixei no chão repetidas vezes, no tapete, enfim, revirei tudo, mas devagar, pois, se lente estivesse caÃda no chão, eu poderia quebrá-la, sem perceber e aÃ, babau...
Eu não sei se você, querido leitor, já experimentou a sensação do desespero contido. Se não, saibam que é horrÃvel.
Quando, finalmente, o desespero passou, assentei-me no chão e parti para o raciocÃnio lógico: “Bom, se escutei o barulhinho (“inho”) vir de cima da mesa, a lente tem de estar lá”. Procurei, novamente, por cima de toda a mesa, retirando objetos, minuciosamente e... nada.
Então, resolvi apelar para Deus. Rezei baixinho, pedindo a Ele que me ajudasse a encontrá-la.
Olhei para uma caixa de pomadas e resolvi mexer nela. Peguei-a, tirei a pomada de dentro dela e, quando olhei no fundo da caixa, tive uma surpresa: a lente estava lá, quietinha.
Durante toda a minha busca senti o meu emocional, o meu psicológico, o meu fÃsico e, sobretudo, a minha fé sendo testados. Mas, para a minha alegria, passei no teste da lente.
Querido leitor, quando estiver diante de um problema e o desespero te atrapalhar, o cansaço fÃsico incomodar, a lógica não ajudar, apele para Deus. Sempre dá certo!
A minha série de montagens "Da minha janela", foi realizada através da inserção da imagem de pensadores, autores e personalidades sobre fotos reais da vista da janela de minha casa, em diferentes horas do dia.
O questionamento que proponho é: O que você falaria para essas personalidades, de sua janela?
Para aflição, calma.Para o automatismo, alma.Para o insensÃvel, sentimento.Para o medroso, consentimento.Para o negativo, otimismo.Para os convictos, achismo.Zeugma de opostossó ocultam o desejoda brevidade de ser feliz!
Na garganta, o coração
e, na alma, um turbilhão.
Pulsação acelerada, oxigênio no final.
O que será, afinal
Pânico de viver,
De poder morrer.
Será que terei outra chance,
De ter, com a morte, uma revanche?
Outra chance me foi concedida,
mas a humanidade arrependida,
de a vida não aproveitar
e a finitude realmente chegar.
Mesmo sabendo da minha imortalidade,
a atitude ainda é covarde,
e o tempo a passar
até a próxima crise chegar.
E que chegue logo,
pois assim melhoro,
para, em seguida,
acreditar que vale a pena a vida!
Que a pena com que escrevo,
me salve do desespero
da inspiração se ir embora
e afastar o meu desejo de melhora.
PÃlulas, terapia
não são utopia.
Mas apontam o caminho possÃvel
que a arte alinhava de forma invisÃvel.
Não é visÃvel, palpável, racional,
mas a minha dor é real
porque eu assisto
e, sobre ela, não minto.
Pânico de deixar de ser,
de mal viver.
Pânico de sentir
e de não mais voltar a sorrir.
E, na décima estrofe,
entrego a sorte
de continuar
entre a arte e o findar!
Claro, o alÃvio do escuro.
Cores frias de um prisma.
Entre rimas, eu procuro
o meu esquecido carisma.
Meu rosto firme, terroso,
disfarça a melancolia
de versos longos, remorso,
da força contida durante o dia.
Embora noite, assumo
que o seu escuro me clareia.
Prefiro a madrugada, o soturno,
o silêncio da candeia.
Mas, ocorreu de a candeia
acordar com o sol e o dia.
Disse que não os odeia
e que lhes tem simpatia.
Sou feliz à noite e de dia,
desde que eu tenha vida!
Mamãe nunca se esquecia
de preparar um banquete
que alimentava e aquecia
o nosso motor de criança-foguete!
Ela nunca se esquecia
de nos divertir com seus filmes!
Nossa mente, enriquecia,
e, o caráter, tornava firme.
Mamãe nunca se esquecia
de nos levar para dançar.
Sempre acontecia,
de tarde da noite chegar!
A sua memória começou a falhar...
Mas nunca nos esquecemos do que ensinou!
De viver, amar e descansar, ela, enfim, se lembrou!
















