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VIRTUALIDADES


Flamboyant rosa. 
Pequi incandescente.
Comida gostosa.
Estrela cadente.

Sol a pino.
Céu de brigadeiro.
Meu sonho pequenino
de pintar o mundo inteiro!

Puro sertanejo.
Brincadeira no Mutirama.
Pastel de queijo.
O dia todo de pijama.

Sob os olhos dos pais,
primeira infância.
Metade Minas Gerais, 
metade Goiânia. 







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No alto da árvore de Natal,
guiando os Reis Magos até Jesus.
Dentro do olhar de Maria ao fitar o filho.
No coração de José. 
Nas pontas dos dedos de Deus.
No cerne da criação. 
Brilhando, única e eterna.
És tu, estrela!
Estrela és tu!




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O propósito,
a propósito,
foi de propósito!




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Primavera que prima pelas flores
dos mais refinados odores
com pétalas de tempo.

Tempo que matura beleza
e enche de leveza
o automático viver.

Automático desativado
de consciência renovado
para ver o que sempre existiu.

Fé renascida.
Estação sempre florida.
Em off.





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O mês de agosto, 
se vivido com gosto,
tem um sabor gostoso
de alegria renovada!

Quando vivido com desgosto,
o fatídico agosto
tempera, a gosto,
a tristeza destemperada!






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 Amores perdidos

vividos nos becos da cidade.

Nem, se todos reunidos,

diriam a verdade.


Sobre o primeiro amor

ou o último desencanto!

Sobre o desabrochar da flor

e o que gosto tanto!


Em cada pedacinho de chão

ou dos tijolos da vizinhança

moram o que eu sei de mim, então,

acompanho-me, lenta e breve, de esperança!


Eu-lírico e autora são distintos. 





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Certo dia, ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi ir até o banheiro para retirar a minha lente de contato do olho direito, que estava me incomodando muito. 

Entrei no banheiro, fechei a porta e fiz aquele velho e antigo ritual: lavei as mãos, peguei o UNIQUE, a caixinha de lentes e fui para a frente do espelho retirá-la.

Como já estava acostumada com todo processo, despreocupadamente apertei a pálpebra junto à parte de baixo do olho e foi aí que aconteceu: a lente pulou e voou pelo banheiro. Só escutei um barulhinho (“inho” mesmo), como se ela tivesse batido em algum lugar. E pelo ruído, parecia ter se chocado com alguma coisa feita de plástico.

“Ah, em cima da mesinha está cheio de coisas de plástico: potes de creme, de gel, filtro solar. Deve estar aqui por perto... vai ser moleza achar!” -  pensei.

E fui, tranquilamente, certa de que já a teria encontrado. Procurei e não encontrei.

“Não tem problema. Deve estar caída do outro lado, em cima do forro da mesinha. Relaxa, Tiara” - falei para mim mesma. Procurei... e nada.

Então bateu o desespero. “Eu não enxergo bem sem a lente, como vou fazer? Preciso encontrá-la, desesperadamente!” .

Retirei todos os potes de cima da mesa, o forro, me abaixei no chão repetidas vezes, no tapete, enfim, revirei tudo, mas devagar, pois, se lente estivesse caída no chão, eu poderia quebrá-la, sem perceber e aí, babau...

Eu não sei se você, querido leitor, já experimentou a sensação do desespero contido. Se não, saibam que é horrível.

Quando, finalmente, o desespero passou, assentei-me no chão e parti para o raciocínio lógico: “Bom, se escutei o barulhinho (“inho”) vir de cima da mesa, a lente tem de estar lá”. Procurei, novamente, por cima de toda a mesa, retirando objetos, minuciosamente e... nada.

Então, resolvi apelar para Deus. Rezei baixinho, pedindo a Ele que me ajudasse a encontrá-la. 

Olhei para uma caixa de pomadas e resolvi mexer nela. Peguei-a, tirei a pomada de dentro dela e, quando olhei no fundo da caixa, tive uma surpresa: a lente estava lá, quietinha.

Durante toda a minha busca senti o meu emocional, o meu psicológico, o meu físico e, sobretudo, a minha fé sendo testados. Mas, para a minha alegria, passei no teste da lente.

Querido leitor, quando estiver diante de um problema e o desespero te atrapalhar, o cansaço físico incomodar, a lógica não ajudar, apele para Deus. Sempre dá certo!






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 A minha série de montagens "Da minha janela", foi realizada através da inserção da imagem de pensadores, autores e personalidades sobre fotos reais da vista da janela de minha casa, em diferentes horas do dia.

O questionamento que proponho é: O que você falaria para essas personalidades, de sua janela?

















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Para aflição, calma. 
Para o automatismo, alma.
Para o insensível, sentimento.
Para o medroso, consentimento. 
Para o negativo, otimismo. 
Para os convictos, achismo. 


Zeugma de opostos
só ocultam o desejo
da brevidade de ser feliz!


                               


 

 




 





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Na garganta, o coração 
e, na alma, um turbilhão. 
Pulsação acelerada, oxigênio no final.
O que será, afinal


Pânico de viver,
De poder morrer.
Será que terei outra chance,
De ter, com a morte, uma revanche?

Outra chance me foi concedida,
mas a humanidade arrependida,
de a vida não aproveitar
e a finitude realmente chegar.

Mesmo sabendo da minha imortalidade,
a atitude ainda é covarde,
e o tempo a passar
até a próxima crise chegar.


E que chegue logo,
pois assim melhoro,
para, em seguida,
acreditar que vale a pena a vida!


Que a pena com que escrevo,
me salve do desespero
da inspiração se ir embora
e afastar o meu desejo de melhora.

Pílulas, terapia 
não são utopia.
Mas apontam o caminho possível
que a arte alinhava de forma invisível. 

Não é visível, palpável, racional, 
mas a minha dor é real
porque eu assisto
e, sobre ela, não minto.


Pânico de deixar de ser,
de mal viver.
Pânico de sentir
e de não mais voltar a sorrir.

E, na décima estrofe,
entrego a sorte
de continuar
entre a arte e o findar!












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Claro, o alívio do escuro.
Cores frias de um prisma. 
Entre rimas, eu procuro 
o meu esquecido carisma. 

Meu rosto firme, terroso, 
disfarça a melancolia 
de versos longos, remorso,
da força contida durante o dia.

Embora noite, assumo
que o seu escuro me clareia.
Prefiro a madrugada, o soturno,
o silêncio da candeia.

Mas, ocorreu de a candeia
acordar com o sol e o dia.
Disse que não os odeia
e que lhes tem simpatia.

Sou feliz à noite e de dia,
desde que eu tenha vida!




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Mamãe nunca se esquecia 
de preparar um banquete
que alimentava e aquecia
o nosso motor de criança-foguete!

Ela nunca se esquecia
de nos divertir com seus filmes!
Nossa mente, enriquecia, 
e, o caráter, tornava firme.

Mamãe nunca se esquecia
de nos levar para dançar. 
Sempre acontecia,
de tarde da noite chegar!

A sua memória começou a falhar...
Mas nunca nos esquecemos do que ensinou!
De viver, amar e descansar, ela, enfim, se lembrou!




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Sobre mim

Tiara C. França é goianeira (metade goiana, metade mineira), criada em Goiânia e Formiga.

Descobriu o gosto pelas Artes Visuais desde os 6 anos de idade, quando se pegou reproduzindo personagens de HQ's, de maneira autodidata e espontânea. Especializou-se em Ensino de Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Começou a escrever textos literários ainda na escola. Formou-se em Letras pelo Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG). Já teve contos publicados em outros sites e em coletâneas (Revista Literária Jovem do CLMM, Nos rastros de Erato, Contos em Miniatura).

O blog foi criado no início da pandemia, em abril de 2020. Foi uma tentativa de tornar a fase da pandemia do COVID-19 um pouco mais reflexiva para as pessoas. E perdura até hoje!

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